Acidentes e violências em um hospital do sul do Espírito Santo: discutindo morbidades e fatores associados à luz da política nacional de redução da morbimortalidade por acidentes e violências
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O surgimento dos acidentes e violências no Brasil, originados por fatores inerentes do ponto de vista das relações sociais, impulsionou a necessidade da criação de estratégias e ações do sistema de saúde que foram direcionadas para a resolução dos decorrentes agravos à saúde e morbimortalidade das vítimas. Diante disso, a pesquisa objetivou analisar os fatores associados a complicações hospitalares de pacientes vítimas de acidentes ou violências no hospital referência em trauma do sul do Espírito Santo à luz da Política Nacional de Redução da Morbimortalidade por Acidentes e Violências. Desenvolveu-se um estudo de coorte retrospectiva de 317 vítimas admitidas, no período de julho 2018 a dezembro de 2018, na Santa Casa de Misericórdia de Cachoeiro de Itapemirim (SCMCI). Coletou-se as seguintes informações: sexo, idade, causas da admissão, tipo de acidente, tipo de violência, origem, local da internação, nível de consciência, tipo de intervenção, natureza da cirurgia, tipo de cirurgia, desenvolvimento de complicações hospitalares, tipos de complicações, local do desenvolvimento da complicação hospitalar, alta e óbito. Para associação do perfil sociodemográfico com o desenvolvimento de complicações (desfecho) durante a internação hospitalar foi utilizado o teste de Qui-Quadrado ou o Exato de Fisher, foi adotado nível de significância de p < 0,05 com intervalo de confiança de 95% (IC 95%) para todas as análises.Todas as informações foram registradas em formulário próprio elaborado para esse fim. Quanto aos resultados da pesquisa, o verificou-se, no perfil de admissão na SCMCI, que a maioria eram adultos (65%), do sexo masculino (72,6%), oriundos do Polo Cachoeiro (74%), sendo ocorrências de predomínio acidental (85%), dentre os tipos de acidentes, 53% foram por quedas, seguidas pelos acidentes de transporte terrestre (32%). Dentre os tipos de violência, os espancamentos representaram 36%, seguidos pelas agressões (29%). A maioria dos pacientes apresentaram nível neurológico preservado (86%), com indicação de internação nas unidades de enfermarias (81%), as vítimas necessitaram de procedimentos e intervenção (92%), em sua grande maioria, cirúrgicas (64,7%). Do total da amostra, 29 vítimas evoluíram a óbito (9%), sendo a ocorrência mais evidenciada os óbitos das internações nas Unidades de Terapia Intensiva. A associação com o desenvolvimento das complicações hospitalares com p <0,05 foram encontradas em vítimas que apresentavam alterações do nível neurológico, os tipos de intervenção (clínica/cirúrgica), a utilização da ventilação mecânica invasiva e o desfecho do paciente (alta/óbito). Sendo assim, existe a necessidade do desenvolvimento de ações que visem diminuir a ocorrência dos acidentes e violência, devido a essas ocorrências, por si só, já são marcadores de morbimortalidade, em virtude da gravidade das lesões. Portanto, é necessário obter um olhar diferenciado para a região e o contexto apresentado, partindo da análise de políticas públicas locoregionais.
