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Item type:Item, Prática profissional dos agentes comunitários de saúde do município de Conceição do Castelo-ES(2024-08-07) Fontan, Miriely Pinto; Silva, Alan Patrício daIntrodução: O Agente Comunitário de Saúde (ACS), como membro da equipe multiprofissional que compõe a Estratégia Saúde da Família (ESF), vem sendo o responsável por estabelecer o vínculo dos pacientes com o serviço de saúde, sendo atores de destaque no que diz respeito à promoção, prevenção e controle de doenças. Destaca-se, como recente marcador para o processo desta categoria profissional, a Política Nacional da Atenção Básica (PNAB), publicada em 2017, a qual designou novas atribuições para estes. Objetivo: Analisar a percepção dos Agentes Comunitários de Saúde sobre sua prática no município de Conceição do Castelo- ES. Metodologia: Trata-se de um estudo exploratório-descritivo, de caráter qualitativo, que teve como cenário Unidades de Saúde da Família do município de Conceição do Castelo-ES, tendo como foco as vozes dos próprios Agentes Comunitários de Saúde. Assim, participaram do estudo 22 profissionais, por meio da realização de entrevistas semiestruturadas, as quais foram, posteriormente, foram submetidas à Técnica da Análise de Conteúdo, proposta por Bardin. Resultados: Os resultados apresentados demonstram a percepção dos Agentes Comunitários de Saúde sobre sua atuação, as potencialidades e dificuldades presentes nesta atuação. Potencialidades que dizem respeito à equipe, a estrutura de recursos humanos, e à processos de capacitação. Já as dificuldades se mostraram atreladas não apenas ao recurso humano, mas também, ao material, à questão do transporte dos pacientes, ao trabalho em equipe, e ao reduzido investimento do município nos processos de capacitação destes profissionais. Considerações finais: O estudo revelou que os Agentes Comunitários de Saúde possuem conhecimento sobre suas atribuições segundo a nova Política Nacional da Atenção Básica de 2017 e que estes enfrentam insatisfações e dificuldades na prática profissional. É necessário fornecer apoio contínuo e melhorar as condições de trabalho para que possam desempenhar suas funções plenamente e contribuir para melhores indicadores de saúde na Atenção Primária à Saúde.Item type:Item, (Sobre)viver com HIV na adolescência: subjetividades, enfrentamentos e o papel das políticas públicas(2026-04-14) Araujo, Sandra Fernandes Maciel; Morais, Tassiane CristinaIntrodução: A adolescência é uma fase marcada por mudanças multifacetadas, sendo elas de origem biológica, psicológica e social. Quando esta fase do período humano é atravessada pela vivência com o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), os desafios aumentam e repercutem na saúde física, emocional e na vida social dos jovens. Apesar dos avanços na medicina, os estigmas persistentes na sociedade reforçam a necessidade de compreender as experiências subjetivas desses adolescentes para que assim possamos fortalecer as Políticas Públicas voltadas para a proteção dessa população. Objetivo: Analisar a percepção, os desafios e os enfrentamentos dos adolescentes sobre o viver com o HIV, para subsídio de políticas públicas. Método: Foi realizado um estudo qualitativo, fundamentado na abordagem de relato de vida. Participaram do estudo 5 adolescentes vivendo com HIV com idade de 15 a 18 anos, que realizam acompanhamento com infectologista em um hospital público do Estado do Espírito Santo, Brasil. Os dados foram coletados por meio de entrevista; as narrativas foram gravadas e posteriormente transcritas e analisadas por meio da técnica de análise temática e interpretados à luz da questão social e do papel do Estado. O estudo teve aprovação do comitê de ética e respeitou todos os aspectos éticos vigentes. Resultados: Observou-se uma naturalização do viver com o HIV, um impacto inicial na descoberta do diagnóstico e a responsabilização precoce pelo cuidado em saúde. O preconceito e estigma social emergiram como uma das principais expressões da questão social, que é manifestado por meio do medo do preconceito, sigilo do diagnóstico e dificuldades de diálogos abertos nas relações sociais. O apoio familiar, o acompanhamento da saúde e o contato com jovens que passam por problemas semelhantes são grandes substratos de ação para o fortalecimento de estratégias de políticas públicas. Conclusão: É necessário fortalecer políticas púbicas voltadas para a saúde, informação, proteção contra discriminação, proteção social e garantia dos direitos para os adolescentes que vivem com HIV.Item type:Item, A gestão como estratégia pública: uma avaliação do programa de gestão do acesso e da qualidade assistencial nas redes de atenção à saúde (PGAQ) e seus efeitos no sistema de saúde capixaba(2026-03-30) Costa, Sabrina Lamas; Bezerra, Italla Maria PinheiroIntrodução: A gestão pública em saúde no Brasil tem passado por significativas transformações, marcadas pela transição de modelos burocráticos para abordagens gerencialistas e, mais recentemente, pós-gerencialistas. No âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), essas mudanças refletem o esforço contínuo em promover maior eficiência, qualidade e equidade na atenção à saúde. O Programa de Gestão do Acesso e da Qualidade Assistencial (PGAQ), desenvolvido no estado do Espírito Santo, constitui uma iniciativa inovadora voltada à integração de estratégias de regulação assistencial, aprimoramento de processos e fortalecimento da segurança do paciente, com foco na qualificação da assistência hospitalar. Objetivo: Analisar a implementação e os efeitos do PGAQ no sistema hospitalar público capixaba, considerando indicadores assistenciais e os instrumentos normativos do programa. Métodos: Trata-se de uma pesquisa do tipo avaliativa. O cenário do estudo abrangeu seis hospitais da rede estadual (HINSG, HEAC, HESVV, HDS, HMSA e HRAS). A coleta de dados ocorreu por meio de análise documental comparativa e extração de indicadores do sistema de informação hospitalar, comparando-se o período pré-implantação (2017 a 2019) com o pós-implantação (2021 a 2023). Resultados: Os resultados quantitativos demonstraram impactos heterogêneos: unidades como o HEAC e o HDS registraram avanços expressivos na produtividade e no acesso, com aumento do giro de leitos e forte redução da taxa de rejeição de vagas, embora tenham apresentado elevação na taxa de mortalidade justificada pela alta complexidade clínica absorvida; o HRAS obteve melhorias consistentes na descentralização do acesso; o HINSG e o HMSA mantiveram estabilidade operacional com ganhos resolutivos na regulação; e o HESVV apresentou piora na velocidade dos indicadores operacionais, fato inerente à sua vocação estratégica para cuidados paliativos e crônicos prolongados. A análise qualitativa evidenciou um desenho normativo robusto e coerente com as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), porém revelou que os relatórios institucionais, ao apresentarem dados predominantemente agregados, tendem a mascarar as particularidades dos territórios. Considerações finais: Conclui-se que o PGAQ se configura como um relevante instrumento de indução estatal para a qualificação da gestão hospitalar e fortalecimento do Núcleo Interno de Regulação (NIR). Contudo, sua efetividade é diretamente impactada pelas assimetrias interinstitucionais, evidenciando a necessidade de uma avaliação de desempenho baseada em evidências locais, que considere o perfil epidemiológico, a capacidade instalada e a integração efetiva de cada hospital à Rede de Atenção à Saúde (RAS).Item type:Item, Itinerário terapêutico de familiares de crianças com atrofia muscular espinhal tipo 1 na região sudeste do Brasil: desafios ao acesso, ao cuidado multiprofissional e à efetivação das políticas públicas de saúde(2026-03-20) Lucas, Sabrina Aparecida Pedro; Bezerra, Italla Maria PinheiroIntrodução: A Atrofia Muscular Espinhal (AME) é uma doença genética autossômica recessiva e configura-se como uma das principais causas de morte infantil por doenças hereditárias. A AME é classificada em subtipos clínicos, sendo o tipo 1 o mais grave. No Brasil, o cuidado às pessoas com AME envolve desafios específicos relacionados à organização do Sistema Único de Saúde (SUS) e às políticas públicas voltadas às doenças raras. Objetivo: Analisar o itinerário terapêutico percorrido por familiares cuidadores de crianças com AME tipo 1, residentes na região Sudeste do Brasil, com ênfase nas barreiras e facilitadores de acesso ao cuidado multiprofissional e às políticas públicas de saúde. Método: Estudo observacional de caráter exploratório, com abordagem qualitativa, realizado com familiares de crianças com AME tipo 1 residentes no Sudeste do Brasil. O recorte temporal compreendeu o período de 2016 a 2024, correspondente à incorporação das terapias modificadoras da doença no país e às mudanças recentes nas políticas para doenças raras. Os dados foram produzidos por meio de entrevistas semiestruturadas, que investigaram o percurso terapêutico, as dificuldades e facilidades no acesso ao diagnóstico, aos serviços de saúde, aos tratamentos multiprofissionais e aos medicamentos. Também foram coletadas informações sociodemográficas e clínicas para caracterização dos participantes. O material foi examinado por análise temática e interpretado à luz dos eixos analíticos de Estado, Questão Social e Direito à Saúde. Resultados: As narrativas evidenciaram desigualdades no acesso ao diagnóstico precoce, aos centros de referência, às terapias modificadoras da doença e aos equipamentos de suporte clínico. As famílias relataram barreiras burocráticas, financeiras e territoriais, além de sobrecarga emocional e social no cuidado diário. Estratégias de mobilização, incluindo judicialização e campanhas sociais, emergiram como recursos para garantia do tratamento. Conclusão: o estudo contribui para a compreensão dos desafios enfrentados por famílias de crianças com AME tipo 1, na região Sudeste do Brasil, destacando a necessidade de fortalecimento das políticas públicas, da rede de atenção especializada e da garantia efetiva do direito à saúde, com maior equidade e integralidade no cuidado às doenças raras.Item type:Item, Neuroblastoma pediátrico e as políticas de cuidado no SUS: análise do perfil demográfico de pacientes submetidos à ressecção cirúrgica no Espírito Santo (2013-2023)(2026-04-28) Tavares, Rodrigo Scoassante; Smiderle, Fabiana Rosa NevesIntrodução: O neuroblastoma (NB) é o tumor sólido extracraniano mais comum na infância, caracterizado por elevada heterogeneidade clínica e biológica. Apesar dos avanços terapêuticos, persistem desafios relacionados ao diagnóstico, à estratificação prognóstica e à organização da assistência, especialmente em contextos regionais. Nesse cenário, a análise do perfil demográfico, diagnóstico, terapêutico e dos desfechos configura-se como elemento relevante para compreender o cuidado oncológico pediátrico no Sistema Único de Saúde (SUS). Objetivo: Analisar o cuidado oncológico pediátrico no SUS a partir do perfil demográfico, diagnóstico, terapêutico e dos desfechos de pacientes pediátricos com neuroblastoma submetidos à ressecção cirúrgica no Espírito Santo, entre 2013 e 2023, buscando identificar possíveis fragilidades no cuidado oncológico pediátrico. Métodos: Estudo observacional, retrospectivo, transversal, de caráter descritivo e analítico, realizado a partir da análise de prontuários de pacientes pediátricos submetidos à ressecção cirúrgica de neuroblastoma em um hospital público estadual de referência. Foram avaliadas variáveis sociodemográficas, clínicas, anatomopatológicas, terapêuticas e de desfecho, por meio de estatística descritiva e analítica. Resultados: Foram incluídos 48 pacientes. Observou-se predominância do sexo masculino (75,0%) e de pacientes classificados como pardos (75,0%). A média de idade ao diagnóstico foi de 49 meses. Os tumores abdominais foram mais frequentes (81,3%), com predomínio da topografia suprarrenal (79,2%). Houve elevada proporção de casos em estágios avançados, com 50,0% classificados como estádio 4. A quimioterapia foi realizada em 85,4% dos casos, e a ressecção parcial foi mais comum (64,6%). A mortalidade após a cirurgia foi de 43,8%. A análise do oncogene MYCN apresentou elevada incompletude, com ausência de registro em 45,8% dos prontuários, limitando a estratificação prognóstica. Conclusão: Os achados demonstram perfil clínico compatível com a literatura, porém, associado a elevada proporção de diagnóstico em estágios avançados, mortalidade relevante e limitações na disponibilidade de informações prognósticas. Esses resultados sugerem desafios relacionados à detecção precoce, à qualidade dos registros clínicos, à organização da rede assistencial e à incorporação de métodos diagnósticos especializados. A análise reforça a importância do fortalecimento da atenção primária, da qualificação dos sistemas de informação e do aprimoramento da linha de cuidado oncológico pediátrico no SUS, com foco na redução de desigualdades regionais e na melhoria dos desfechos clínicos.
