Parâmetros e estratégias da ambiência enquanto dispositivo para a humanização nos ambientes hospitalares: a arquitetura e seu papel à luz da política nacional da humanização em saúde
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Resumo
A Política Nacional de Humanização-PNH propôs fomentar ações práticas aos princípios do Sistema Único de Saúde-SUS por meio de métodos e dispositivos que aplicados, contribuam com espaços físicos mais humanizados, indiquem o estabelecimento de vínculos e trocas entre profissionais de saúde e usuários na intervenção terapêutica. Dentre os dispositivos da PNH destaca-se a ambiência, compreendida como o espaço físico onde acontece o cuidado à saúde. Comporta três eixos indissociáveis: a confortabilidade, o espaço enquanto encontro de sujeitos que produzem ações e reflexões e o espaço como ferramenta facilitadora do processo de trabalho. Orienta que projetos arquitetônicos possibilitem o bem-estar físico e emocional do usuário e dos profissionais de saúde. Para além da PNH, projetos hospitalares em várias partes do mundo e no Brasil têm buscado o atendimento de algumas premissas que influenciem positivamente os aspectos emocionais, sociais e físicos dos seus usuários e buscam como resultado projetos arquitetônicos com ambientes que colaborem para a recuperação e cura. Esse estudo propôs analisar os parâmetros e estratégias utilizados na ambiência, enquanto dispositivo para a humanização, ao aprofundar o conhecimento sobre as contribuições que a PNH trouxe ao desenvolvimento dos ambientes hospitalares. Trata-se de uma revisão integrativa que seguiu as fases de elaboração da pergunta norteadora, estabelecimento de descritores, dos critérios para inclusão/exclusão e definição das informações extraídas dos trabalhos revisados. A coleta buscou artigos científicos redigidos em língua portuguesa e inglesa no período de 2005 a 2020, tendo em vista a PNH ter sido apresentada como uma política de governo em março de 2003 e após dois anos de sua implantação, ser possível colher informações acerca de suas primeiras repercussões. Foram selecionados 22 artigos que apresentaram evidências da importância da humanização nos ambientes hospitalares e da implantação e efetivação da Política de Humanização do Sistema Único de Saúde – SUS sob a ótica da ambiência em ambientes hospitalares brasileiros. Foram abordados 04 aspectos, em conformidade com os objetivos da ambiência e principais resultados dos artigos analisados, quais são: Interferência do espaço físico no estado de saúde do paciente hospitalizado, aspectos da ambiência associados à humanização na assistência hospitalar, perspectivas de profissionais frente à ambiência hospitalar, humanização e o âmbito de trabalho e Arquitetura e saúde. Os estudos apontaram que a ambiência é uma ferramenta importante para estímulo do bem-estar físico e emocional do usuário e dos profissionais de saúde. Observou-se também que os avanços da infraestrutura hospitalar atrelada à PNH, são poucos, frente aos anos de sua implantação, evidenciando falhas e carências no processo de evolução da arquitetura ao processo saúde-doença. Considera-se esse estudo um possível caminho para apropriação do conhecimento transdisciplinar necessário ao arquiteto para desenvolvimento de projetos humanizados em ambientes hospitalares, ainda que não se elimine o sofrimento causado pela doença por meio do espaço físico, é factível a criação de ambientes hospitalares com significativa relevância para a recuperação da saúde.
