Vulnerabilidade biopsicossocial e estratégias de apoio no ambiente de trabalho: a saúde mental dos profissionais de enfermagem no contexto da pandemia de COVID-19
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Flores, Katty Maribell Gonzales
Morais, Tassiane Cristina
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Resumo
A pandemia de COVID-19 sobrecarregou os serviços de saúde, expondo desigualdades estruturais e a fragilidade das políticas de proteção aos trabalhadores. Esses elementos configuram-se também como expressões da questão social, que se materializam nas condições precárias de trabalho, no adoecimento mental e nas vulnerabilidades enfrentadas pelos profissionais. Os profissionais de saúde, especialmente os da enfermagem, que atuaram na linha de frente, foram os mais afetados. Essa categoria profissional é de grande relevância sociológica, pois representa o maior contingente da força de trabalho em saúde e desempenha funções essenciais no cuidado dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Durante a pandemia, eles enfrentaram condições de trabalho adversas que geraram repercussões negativas em sua saúde mental, que persistem mesmo após a crise sanitária. Apesar das Políticas Públicas existentes para a promoção da saúde mental dos trabalhadores, ainda é necessário fortalecer as ações de promoção do bem-estar psíquico para esses profissionais, atores indispensáveis para o funcionamento e a humanização do SUS. Avaliar os desafios enfrentados e as estratégias de apoio adotadas no ambiente laboral durante a pandemia de COVID-19 e suas repercussões na saúde mental dos profissionais da enfermagem. Trata-se de um estudo misto, com coleta de dados simultânea. O mesmo foi realizado com 12 profissionais de enfermagem da Unidade Municipal de Urgência Emergência Nossa Senhora da Boa Família (UMUENSBF) no município de Itaguaçu, Espírito Santo. A coleta de dados inclui informações sociodemográficas e a aplicação da Escala Depression, Anxiety and Stresse Short Form (DASS-21), que mede os índices atuais de depressão, ansiedade e estresse. Também foi utilizado um questionário para coletar as percepções dos participantes sobre os desafios para a sua saúde mental no decorrer da pandemia, as estratégias de suporte adotadas e as sugestões para melhorias nas políticas públicas. Os dados quantitativos foram analisados por meio de estatística descritiva, enquanto os dados qualitativos foram submetidos à análise temática. A entrevista foi realizada após a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa. Observou-se sobrecarga de trabalho, insegurança e impactos na saúde mental dos profissionais de enfermagem. O estresse variava em níveis moderados (50%), severos (16,67%) e extremamente severos (16,67%). A ansiedade foi considerada crítica, com 41,67%, evidenciando níveis extremamente severos. Quanto à depressão, 50% apresentaram níveis moderados. Também foram relatadas dificuldades de acesso a suporte psicológico, sensação de despreparo e medo do futuro. A pandemia de COVID-19 afetou diretamente a saúde mental dos profissionais de enfermagem. Esses fatores corroboram a percepção de medo do futuro e sensação de despreparo diante de novas pandemias. Portanto, é urgente fortalecer as estratégias de intervenção que valorizem esses profissionais, por meio de políticas públicas funcionais e intersetoriais que promovam a saúde mental no ambiente de trabalho. Essas repercussões, compreendidas como expressões da questão social, reforçam a necessidade de uma abordagem interdisciplinar capaz de contribuir para a defesa dos direitos, a formulação de políticas e a promoção de condições dignas de trabalho e cuidado no SUS.
