Violência autoprovocada no Espírito Santo: desafios para as políticas públicas de saúde mental
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Resumo
Introdução: A violência autoprovocada constitui importante problema de saúde pública, com repercussões clínicas, sociais e econômicas relevantes. No Brasil, observa-se crescimento das notificações de autolesões e tentativas de suicídio, especialmente entre adolescentes e jovens adultos. No estado do Espírito Santo, o aumento de internações e atendimentos relacionados a comportamentos autolesivos reforça a necessidade de análises regionais que subsidiem o planejamento em saúde mental. Objetivo: Objetivou-se analisar a tendência temporal da violência autoprovocada notificada no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), no Espírito Santo, no período de 2020 a 2024. Método: Trata-se de estudo ecológico, observacional, com dados secundários agregados por município e macrorregião de saúde. Resultados: Foram analisadas variáveis sociodemográficas (idade, sexo, escolaridade e cor/raça), ocorrência de reincidência e taxas por 100 mil habitantes. A tendência temporal foi avaliada por regressão de Prais–Winsten, com estimativa da variação percentual anual e intervalos de confiança de 95%. Observou se maior concentração de casos entre adolescentes e jovens de 15 a 29 anos, predominância do sexo feminino e maior frequência entre indivíduos negros. A reincidência mostrou-se mais expressiva entre adolescentes e mulheres. Territorialmente, identificaram-se tendências crescentes nas macrorregiões Sul e Central-norte do estado. Conclusão: Conclui-se que a violência autoprovocada apresenta comportamento crescente e desigual no território capixaba, configurando se como um desafio para as políticas públicas de saúde mental, especialmente no que se refere à vigilância, prevenção e organização do cuidado em rede.
