Vítimas de agressão assistidas pelo SAMU 192/ES: discutindo papel da assistência pré-hospitalar móvel
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Resumo
As agressões e suas múltiplas expressões fazem-se presentes na humanidade. Os efeitos dessa violência à sociedade são diversos, entre os quais se podem destacar os impactos negativos sobre cofres públicos, bem como o sistema de saúde pública. Diante das consequências sociais e econômicas em decorrência das agressões e da necessidade de uma primeira assistência qualificada e de rápida resposta para socorrer as vítimas, foi implantada, em 2023, a Política Nacional de Atenção às Urgências, que estabelece, como um dos seus elementos fundamentais, o componente pré-hospitalar móvel representado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – SAMU 192. Assim, esta dissertação tem por objetivo verificar a prevalência e o perfil das vítimas de agressão assistidas pelo SAMU 192 no estado do Espírito Santo em 2020 e o papel da assistência pré-hospitalar móvel na assistência a essas vítimas. Para tanto, foi realizada uma revisão de literatura sobre o tema e análise de documentos e legislações do Ministério da Saúde e, para identificar o perfil das vítimas, procedeu-se a um estudo transversal, caracterizado por coleta retrospectiva, com a análise dos atendimentos das vítimas de agressão realizadas pelo SAMU 192/ES em 2020. Foram coletadas estas informações: ciclo de vida e sexo; quanto ao atendimento: período da semana, turno solicitação, tipo de recurso enviado (Unidade de Suporte Básico ou Unidade de Suporte Avançado), gravidade presumida pelo médico regulador (vermelho, amarelo e verde/azul) e o desfecho da ocorrência (transportado e não transportado). Registraram-se as seguintes ocorrências decorrentes de violência: ferimento por arma de fogo, ferimento por arma branca e agressão corporal. Resultados: Em 2020, houve atendimento a 14.334 vítimas de acidentes e violências, das quais 1.901 (13,26%) sofreram agressões e destas 64,5% foram em decorrência de agressões corporais, 19,5% de arma de fogo e 15,9% de arma branca. Eram, em sua maioria, adultos com idade entre 20 e 49 anos (67,9%) do sexo masculino (73,5%), no período da semana (60,8%), turno da solicitação noturno (56,8%), gravidade presumida amarelo (57,5%), recurso enviado à Unidade de Suporte Básico (76%); 59,5% foram transportados para um serviço de saúde e, em sua maioria, para hospitais públicos (92,7%). Considerações finais: A maioria das vítimas de agressão são adultos jovens, homens, vítimas de agressão corporal, de risco moderado, atendidos durante a semana e à noite. As vítimas foram transportadas para hospitais públicos de referência em trauma, o que reforça a necessidade de definir condutas e estabelecer tanto prognóstico quanto ações de prevenção específicas que sejam planejadas e aplicadas na prática do profissional de saúde.
