A percepção da mulheres motoristas de aplicativo sobre uberização do trabalho na Grande Vitória (ES): uma análise à luza dos objetos de desenvolvimento sustentável (ODS)

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Esta pesquisa traz um estudo teórico, que tem por objetivo investigar a uberização do trabalho na forma de empresas-aplicativo no contexto de precarização do trabalho. A uberização do trabalho foi criada a partir das plataformas digitais, que apesar de ter em seu termo o início do nome da empresa multinacional Uber, sua definição não se refere apenas a esta, e sim a uma nova tipologia de relação de trabalho contemporâneo que se opõe à tradicional, no entanto a mesma é regida por normas trabalhistas. Desvelar a percepção das mulheres motoristas de aplicativo na Grande Vitória (ES) acerca da uberização do trabalho, considerando as condições laborais e socioeconômicas a partir de uma análise à luz dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. A metodologia adotada na pesquisa foi qualitativa, de caráter descritivo exploratório. Oito participantes foram selecionadas por conveniência não-probabilística (“bola de neve”) para entrevistas episódicas (Flick, 2002) com base em um roteiro semiestruturado, a fim de coletar a vivência das mesmas na profissão de maneira mais ampla e detalhada. A análise de conteúdo foi realizada com base em Bardin (1977). A análise de conteúdo desvelou cinco temas que abordam a baixa representatividade feminina na categoria de motoristas de aplicativo atrelada às desigualdades estruturais de gênero e à divisão sexual do trabalho. As participantes relataram vivências e desafios marcados pela precarização, ausência de proteção social, instabilidade de renda, insegurança e assédio, mesmo que reconheçam a geração de renda imediata e a flexibilidade de horários como aspectos positivos do exercício. Observou-se ainda que a inserção de mulheres nessa modalidadede emprego uberizado, está relacionado a necessidade de sobrevivência, desemprego e complementação de renda, relevante para a dependência da economia de plataformas. Conclui-se que embora haja o discurso de flexibilização e empreendedorismo, há a intensificação das relações trabalhistas e desproteção social, principalmente entre as mulheres. A pesquisa evidencia a necessidade de políticas públicas e regulamentação da profissão voltada à proteção social, segurança, e condições dignas laborais para trabalhadoras inseridas no trabalho mediado por plataformas digitais.

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