(Sobre)viver com HIV na adolescência: subjetividades, enfrentamentos e o papel das políticas públicas
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Introdução: A adolescência é uma fase marcada por mudanças multifacetadas, sendo elas de origem biológica, psicológica e social. Quando esta fase do período humano é atravessada pela vivência com o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), os desafios aumentam e repercutem na saúde física, emocional e na vida social dos jovens. Apesar dos avanços na medicina, os estigmas persistentes na sociedade reforçam a necessidade de compreender as experiências subjetivas desses adolescentes para que assim possamos fortalecer as Políticas Públicas voltadas para a proteção dessa população. Objetivo: Analisar a percepção, os desafios e os enfrentamentos dos adolescentes sobre o viver com o HIV, para subsídio de políticas públicas. Método: Foi realizado um estudo qualitativo, fundamentado na abordagem de relato de vida. Participaram do estudo 5 adolescentes vivendo com HIV com idade de 15 a 18 anos, que realizam acompanhamento com infectologista em um hospital público do Estado do Espírito Santo, Brasil. Os dados foram coletados por meio de entrevista; as narrativas foram gravadas e posteriormente transcritas e analisadas por meio da técnica de análise temática e interpretados à luz da questão social e do papel do Estado. O estudo teve aprovação do comitê de ética e respeitou todos os aspectos éticos vigentes. Resultados: Observou-se uma naturalização do viver com o HIV, um impacto inicial na descoberta do diagnóstico e a responsabilização precoce pelo cuidado em saúde. O preconceito e estigma social emergiram como uma das principais expressões da questão social, que é manifestado por meio do medo do preconceito, sigilo do diagnóstico e dificuldades de diálogos abertos nas relações sociais. O apoio familiar, o acompanhamento da saúde e o contato com jovens que passam por problemas semelhantes são grandes substratos de ação para o fortalecimento de estratégias de políticas públicas. Conclusão: É necessário fortalecer políticas púbicas voltadas para a saúde, informação, proteção contra discriminação, proteção social e garantia dos direitos para os adolescentes que vivem com HIV.
