Violência contra a mulher: o retrato dos jornais capixabas
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O aumento da violência urbana foi acentuado pelas transformações sociais e políticas que causaram as desigualdades regionais e os contrastes socioeconômicos que, em conjunto, excluem determinados grupos sociais. A prática da violência contra a mulher é histórica e para eliminá-la, é necessário transformar a cultura de uma sociedade. A colaboração da Imprensa na disseminação da informação é tão importante quanto estimular debates acerca da violência contra a mulher que promovam mudanças culturais, além de permitir compreender a dinâmica da violência que é fundamental para o fortalecimento das políticas de prevenção e proteção. Este estudo pretendeu demonstrar, através do discurso impresso, o perfil da violência contra as mulheres praticada nas ruas, com um olhar voltado para o tratamento que a Imprensa dá às notícias sobre violência. O banco de dados foi organizado, com as notícias acerca da violência urbana praticada contra as mulheres na Região Metropolitana da Grande Vitória selecionadas, diariamente, dos dois jornais de maior circulação de Vitória. Além da pesquisa bibliográfica em livros e artigos indexados, fez-se a análise de dados estatístico descritivos e da abordagem qualitativa seguindo a técnica de análise de conteúdo a partir das categorias temáticas: a) A banalização da violência na sociedade brasileira; b) A violência contra a mulher, como fenômeno cultural; c) A identidade do agressor – uma relação de forças. Além dessas, outras classes temáticas foram encontradas: d) A ausência de informação das características sociais dos atores da violência; e) A forma preconceituosa que os jornais se referem ao autor da violência; f) A Justificativa do delito e g) A omissão, por parte da Imprensa, de incentivar debates ou discussões. O estudo permitiu perceber que a violência passou por um processo de inovação nas suas formas e práticas além de demonstrar que a imprensa divulga as notícias priorizando os detalhes do ato cometido, mas não incentiva debates acerca da violência contra a mulher que reforcem a necessidade de uma mudança cultural na sociedade para que, a partir de então, se criem propostas de enfrentamento do problema obrigando o Estado a cumprir um papel mais efetivo em relação à questão em discussão.
