Mortalidade por causas externas da região sul capixaba: discutindo a realidade de um hospital de referência como caminho para (re)orientação de políticas públicas
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O surgimento das causas externas no Brasil, ocasionado por fatores inerentes a relações sociais, impulsionou o sistema de saúde a criar estratégias e ações direcionadas para a resolução do trágico cenário vivenciado pelos agravos à saúde e mortalidade das vítimas. Diante disso, a pesquisa objetivou verificar o perfil das vítimas admitidas por causas externas e a incidência de óbito em um hospital da região sul capixaba. Desenvolveu-se um estudo exploratório descritivo e quantitativo, constituída por pesquisa de dados do DATASUS referentes a mortalidade por causas externas no estado do ES e na região sul capixaba, e estudo descritivo com coleta retrospectiva de dados de 135 vítimas admitidas na Santa Casa de Misericórdia de Cachoeiro de Itapemirim (SCMCI). Coletou-se as seguintes informações: sexo, idade, município de origem, causas de admissão, tipo de acidente, tipos de violência, tipos de transporte pré-hospitalar, assistência médica pré-hospitalar, sinais de presença de embriaguez, sinais de uso de entorpecentes ou drogas ilícitas e o desfecho ao óbito. No que tange ao levantamento do DATASUS, entre os anos de 2001 a 2019, verificou-se que, no ES, a agressão aparece em primeiro lugar na mortalidade por causas externas, seguido de homicídio por arma de fogo. Enquanto na região sul capixaba foi observado os acidentes de transporte terrestre, e no hospital as quedas como as principais causas de óbito. Quanto ao perfil de admissão na SCMCI, verificou-se que a maioria eram adultos (64%), do sexo masculino (73%), oriundos do Polo Cachoeiro (71%), sendo ocorrências de predomínio acidental (90%), sem sinais de embriaguez (80%) e sinais de uso de entorpecentes ou drogas ilícitas (90%). Dentre os tipos de acidentes, 49% foram por quedas, seguidas pelos acidentes de transporte terrestre (40%). Dentre os tipos de violência, as por arma branca e por projétil de arma de fogo representaram 36%, para ambas, seguidas pelas agressões (29%). Do total da amostra, 12 vítimas evoluíram a óbito (9%), com predomínio dos idosos, do sexo masculino, sendo a queda da própria altura a ocorrência mais evidenciada entre as causas de óbito. Sendo assim, podemos relacionar à fragilidade ocasionada pelo envelhecimento como fator de desenvolvimento de comorbidades, e consequente ocorrência de quedas. Portanto, é necessário obter um olhar diferenciado para a região e o contexto apresentado, partindo da análise de políticas públicas locais.
