Poluição do ar e saúde respiratória na região metropolitana da Grande Vitória: evidências epidemiológicas e perspectivas de ação sustentável
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Resumo
Doenças respiratórias representam um grave problema de saúde pública global, afetando milhões de pessoas anualmente. Uma das principais causas é a exposição a poluentes causados pelos impactos ambientais, que deixa o sistema respiratório vulnerável a infecções. Avaliar a relação entre a ocorrência de doenças respiratórias e as concentrações de material particulado (MP10) em municípios da Região Metropolitana da Grande Vitória, no período de 2015 a 2022, à luz das expressões da questão social, da atuação do Estado e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Trata-se de um estudo ecológico, guiado pela ferramenta Strengthening the Reporting of Observational Studies in Epidemiology, nos municípios de Vitória, Serra, Vila Velha e Cariacica da região metropolitana da Grande Vitória, Espírito Santo. O estudo utiliza dados secundários do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e portal do Instituto Estadual de Meio Ambiente. Foram incluídos dados de notificação de doenças respiratórias entre 2015 e 2022, em indivíduos de 0 a 59 anos, relacionados a Doenças Respiratórias Crônicas (DRC), doenças crônicas das vias aéreas superiores e concentrações de partículas MP10. Realizou o cálculo da taxa de prevalência para a caracterização das internações por doenças respiratórias; caracterização do perfil sociodemográfico mediante análise descritiva. Realizou-se o cálculo da taxa de prevalência para caracterizar as internações por doenças respiratórias, bem como uma análise descritiva destinada à caracterização do perfil sociodemográfico dos casos. Foram calculadas as médias mensais anuais e médias mensais para todo o período de concentrações de partículas MP10. No período analisado, foramregistradas 6.036 internações por doenças respiratórias, das quais 55,73% (3.364) ocorreram em indivíduos do sexo masculino e 2.672 (44,27%) em indivíduos do sexo feminino. A asma destacou-se como a principal causa de internação, correspondendo a 71,69% (4.327) dos casos. Verificou maior incidência de hospitalizações na faixa etária de 1 a 4 anos. Dentre os municípios avaliados, Vila Velha apresentou o maior número de internações em 2018, concentrando 57,22% dos casos notificados. A análise da concentração média anual do material particulado inalável (MP10), no período de 2015 a 2022, revelou variações significativas entre os municípios, com tendência geral de redução até o ano de 2020, seguida por elevações atípicas em 2021 e 2022, especialmente nos municípios de Serra e de Vila Velha. O aumento de casos de doenças respiratórias representa importante causa de internação hospitalar, com maior vulnerabilidade observada em crianças de 1 a 4 anos. A concentração de casos em determinados municípios e as oscilações nas concentrações de MP10 indicam a influência potencial da poluição atmosférica sobre a ocorrência dessas internações. Nesse contexto, tornam-se imprescindíveis a implementação e o fortalecimento de políticas públicas intersetoriais voltadas à redução da exposição a poluentes, ao monitoramento contínuo da qualidade do ar e à ampliação de estratégias preventivas no âmbito da atenção primária, com foco especial em populações infantis e territórios mais impactados. Tais ações são fundamentais para reduzir a carga de morbidade e promover a equidade em saúde.
