Violência sexual em crianças e adolescentes durante pandemia da COVID-19: uma análise a partir da realidade de um hospital público pediátrico
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A violência sexual praticada em face de crianças e adolescentes é uma grave violação dos direitos humanos, e tem produzido efeitos deletérios que afeta a sociabilidade de diversas pessoas. Este estudo está relacionado à violência sexual contra crianças e adolescentes atendidos em um hospital público pediátrico da capital do Espírito Santo durante o contexto da pandemia da COVID-19, cujo objetivo consistiu em analisar as características da violência sexual em crianças e adolescentes no contexto da pandemia da COVID-19, a partir do atendimento ofertado às vítimas em um hospital público pediátrico do Estado do Espírito Santo. Foi desenvolvido a partir de uma pesquisa documental de abordagem qualitativa, orientada epistemologicamente pelo materialismo histórico dialético. Teve como campo de pesquisa um hospital pediátrico da rede pública de saúde, situado na capital do Estado do Espírito Santo. A coleta de dados se deu mediante busca de informações registradas pelos profissionais de saúde nos prontuários e nas fichas de notificação de violências, no período de março de 2020 a dezembro de 2021. Para o tratamento dos dados foi utilizado o método de análise de conteúdo. Os resultados obtidos revelam que durante a pandemia da COVID-19, crianças e adolescentes tiveram suas vulnerabilidades intensificadas e as pessoas responsáveis pela proteção figuraram como os principais violadores sexuais. No período da pandemia violência sexual praticada por meio virtual agudizou-se. Os profissionais, que laboram no hospital onde a pesquisa foi realizada, tiveram uma grande importância, no que se refere aos atendimentos das vítimas e familiares, e também, no encaminhamento aos equipamentos de proteção de proteção do Sistema de Garantia de Direitos. Conclui-se, assim, que a violência sexual que vitima crianças e adolescentes é o fruto de uma sociedade capitalista, machista e patriarcal. Violência que ganhou novas roupagens durante o cenário de pandemia da COVID-19. As vulnerabilidades se agudizaram no momento de isolamento social. Houve uma elevação dos crimes sexuais praticados no mundo virtual e uma diminuição das denúncias. Contudo, a violência sexual de crianças e adolescentes constitui não apenas como um problema de segurança pública, mas, uma questão de saúde pública que foi construída socialmente, portanto, passível de desconstrução, e, para isso necessita de políticas públicas efetivas para seu enfrentamento.
