Um estudo sobre o centro de referência no atendimento especializado à mulher em situação de violência doméstica de Vila Velha (Cramvive)

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O presente trabalho procurou aprofundar os meandros do Centro de Referência no Atendimento Especializado à Mulher em Situação de Violência Doméstica de Vila Velha (Cramvive), instrumento de políticas públicas; priorizando a análise a partir de 2017, após a “segunda” reestruturação. Como contar tal período sem reconstituir um pouco da sua história? Registrar, sair da “invisibilidade”, traços e percursos da resistência. Em um primeiro momento despertar os olhares, eludidar os campos da origem e constituição da política, do Estado e cidadania, bem como revisitar as lutas e resistência das mulheres, da colonialidade – interrelações à produção da política pública, nos limites e possibilidades da sociedade capitalista. A leitura epistemológica entrelaçou o marxismo dialético, tempo histórico do ser mulher em contexto social, cultural e político. A relevância do trabalho está em sua interface avaliativa, ex post e de processo, realizada através de pesquisa documental, releituras de autoras e autores que, em campos teóricos, discutiram as categorias gênero, violência e políticas públicas. Certo é, que o incerto ocorreu. A versão do instrumento de um dos municípios que compõem a Região da Grande Vitória – Vila Velha; das faces ocultas, as várias outras: não-institucionalizada, institucionalizada, desmantelada, (des)estruturada, reestruturada; herança da Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, encoberta e recoberta pelas “naus” das políticas governamentais municipais; tanto é que, o enredo foi narrado em histórias temáticas, entrevistas, além de uma viagem guiada por documentos, nas diversas interfaces da política pública em Vila Velha/ES. Várias descobertas em que ocorreu o nascedouro do instrumento de políticas públicas para mulheres com mais de 15 anos de história no município. Para além do seu percurso, a despeito dos limites e desafios, está a persistência e, porque não afirmar, as possibilidades de atuação e reação no campo do enfrentamento à violência contra a mulher em âmbito local. Após todo esse tempo de história e luta, se reconhece aqui a riqueza de possibilidades, amplo campo de debates a ser conhecido, conquistado.

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