O desvelar do parto no Sistema Único de Saúde: vivências e direitos de cidadania das mulheres

Resumo

Esse trabalho foi motivado por toda minha trajetória como profissional de saúde, mulher, mãe, filha e cidadã, que procurou entender porque algumas mulheres, que passaram por situações de vida desagradáveis ao engravidar: o chorar pela dor do parto, os anseios da gestação e inseguranças de estar sob o cuidado de profissionais de saúde desconhecidos e sem empatia, tornavam a se sujeitar à uma nova gestação. Quais são os fatores que velam a percepção dessas mulheres, que gestam e parem repetidamente sem valorar suas relações socioafetivas, mesmo com todo aparato informativo como a internet? Objetivou-se desvelar a compreensão das parturientes, sobre suas gestações e como seria o momento do parto e pós-parto em uma Instituição de Saúde Pública, que lhes acolheria. Além de: Descrever como a sua rede de relações socioculturais e afetivas podem influenciar em suas emoções num ambiente institucional; e identificar as principais vias de informação utilizadas pelas gestantes para compreender melhor o parto e o pós-parto, e sentirem-se mais preparadas para o parto e cuidados com o recém-nascido. A pesquisa é qualitativa, baseada na Fenomenologia Existencial e Social, foi realizada em junho de 2020, na Maternidade Coronel Leoncio Vieira Rezende (Maternidade de Carapina) no município de Serra, no Espírito Santo, vinculada ao Sistema Único de Saúde que atende às munícipes em trabalho de parto habitual, abortamento e tratamento clínico, como rede de atenção secundária. Utilizou-se de entrevistas semiestruturadas gravadas com 16 parturientes, entre 16 e 43 anos, com registro em diário de campo e observação participante dos grupos criados pelas parturientes, para conversarem sobre dúvidas e expectativas, após as visitas médicas, formando uma grande rede de apoio, suprindo a ausência dos acompanhantes na Maternidade, devido o enfrentamento da atual pandemia. Esses ricos momentos seguiram medidas de distanciamento e de segurança solicitadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, para evitar o contágio e propagação da Coronavirus Disease 2019. A pesquisa seguiu também os procedimentos ético-metodológicos, conforme as Resoluções 466/2012 e 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde. As gravações foram transcritas na íntegra e a posteriori analisadas para organizar os dados em quatro grandes categorias: 1. Preparando-se para o parto (pré-natal, informações antes do parto, família e a importância do acompanhante no parto); 2. Os temores no parto; 3. As sensações na vivência do parto; e, 4. As impressões sobre a Instituição de Saúde (infraestrutura e profissionais de saúde). Os resultados evidenciaram como essas mulheres percebem a gestação e o ato de parir em um serviço público de saúde que busca resgatar a sua humanização, através dos programas da Rede Cegonha e Humaniza SUS e retornar às raízes do parir, com incentivo a programas de treinamento de parteiras, doulas e enfermeiras obstetras. Conclui-se que essa pesquisa potencializa a real descrição da qualidade dos serviços oferecidos aos usuários do SUS e demonstra o quanto nossos profissionais necessitam de reconstruir seus conhecimentos perante a evolução sociocultural que discorre diante de seus olhos, adaptando-se melhor às mudanças decorrentes dos comportamentos e necessidades da contemporaneidade.

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