Fatores maternos associados à prematuridade: contribuições para as políticas de saúde
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Introdução: A prematuridade, caracterizada pelo nascimento abaixo de 37 semanas, representa sério agravo de saúde pública, por sua condição multifatorial e complexa, com repercussões sociais, econômicas, clínicas e elevados índices de morbimortalidade infantil. Objetivos: avaliar a prevalência de prematuridade e sua associação às características sociodemográficas e de assistência à saúde de mães. Metodologia: Estudo observacional, analítico e transversal, no período de 2014 a 2018, com dados coletados a partir das Declarações de Nascidos Vivos na Região Sul de Saúde, e disponibilizados pela Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo, ES, Brasil. Resultados: Foram identificados 43.053 nascimentos em hospitais, de mães caracterizadas por idade materna <20 anos (16,50%), 20 a 35 anos (73,30%) e >35 anos (10,20%), pardas (58,80%), casadas (47,20%), em união estável (26,70%) e solteiras (23,20%), com escolaridade entre 8 a 11 anos, donas de casa (45,90%), com seis ou mais consultas de pré-natal, iniciando pré-natal no primeiro trimestre, gestação única (97,80%), submetidas ao parto cesárea (70,90%), vaginal (28,90%) e com idade gestacional <37 semanas (10,30%). Foram causas de prematuridade, com associação significativa de p <0,05: idade materna <20 e >35 anos, situação conjugal solteira e divorciada, raça/cor parda e indígena, ocupação de dona de casa, gestação múltipla, parto vaginal, número menor que 6 consultas de pré-natal e início tardio após o primeiro trimestre, exceto escolaridade com p =0,063. Conclusão: As condições sócio-étnico-raciais, econômicas e de assistência à saúde, desfavoráveis, associam-se à ocorrência de mais de 10% de nascimentos prematuros. Sendo de extrema importância a garantia de uma assistência pré-natal gratuita, integral e qualificada a gestantes, de modo a diminuir as desigualdades socioeconômicas e iniquidades de saúde existentes para o combate à prematuridade.
