Aspectos clínicos e epidemiológicos da sífilis congênita no Brasil no período de uma década

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A sífilis congênita é uma doença infecciosa causada pela espiroqueta do Treponema pallidum transmitida verticalmente (da gestante para o feto), em qualquer fase gestacional ou estágio da doença materna, seja por via transplacentária, seja por contato direto com a lesão no momento do parto. Apesar do amplo conhecimento que se tem acerca da doença, e das várias políticas públicas adotadas para o seu combate, o número de casos notificados da doença mantém-se elevado. Descrever os aspectos clínicos e epidemiológicos da Sífilis Congênita no Brasil, analisando dados referentes ao primeiro e ao último ano de uma década. Realizou-se um estudo descritivo, transversal e retrospectivo, com análise de dados referentes à população de crianças diagnosticadas com sífilis congênita e de mulheres com sífilis gestacional, em todo o território brasileiro, nos anos 2011 e 2021. Para tanto, utilizou-se como variáveis o número de casos notificados em menores de um ano, características maternas e informações sobre a realização de pré-natal. Os dados foram coletados do Boletim Epidemiológico de Sífilis, divulgado pelo Ministério da Saúde do Brasil e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), e analisados através de tabelas criadas com o software Microsoft Excel. Entre 2011 e 2021, a quantidade de casos notificados quase triplicou, apesar da queda de quase 8% do número de nascidos vivos, e a região Sudeste foi a que apresentou o maior número absoluto de casos. No Brasil, os casos foram, em sua maioria, identificados nos primeiros 7 dias de nascimento. Em relação aos casos de aborto causado por sífilis, houve crescimento de cerca de 273,6%, e para os casos de natimortos, de 169%. Para os dados maternos, tem-se a faixa etária de 20-29 anos como a mais prevalente em ambos os anos, mas, em 2021, o número de mães entre 10 e 14 anos dobrou. Houve um aumento de 671,7% do número de mães com ensino superior completo, e a raça mais prevalente manteve-se sendo a parda. No que diz respeito ao pré-natal, houve um aumento na realização do mesmo e no diagnóstico de sífilis durante as suas consultas. A mortalidade infantil por sífilis cresceu cerca de 58% no Brasil e, em 2011, a região Sudeste apresentou a maior taxa, e em 2021, a Norte. O número de casos de sífilis congênita aumentou, considerando o primeiro e último ano da década, apesar da implementação de políticas públicas para sua prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado. A criação de programas governamentais e a ampliação da assistência pré-natal efetiva mostraram-se necessários para promoção de saúde e combate à sífilis congênita, possibilitando maior acesso e integração do cuidado, porém, não impactaram na redução do número de novos casos.

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