Uso do ligamento redondo do fígado como força de retalho para cobertura de defeitos em hiato esofágico: uma revisão sistemática
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Resumo
O ligamento redondo do fígado (ligamentum teres), estrutura fibrosa remanescente da veia umbilical esquerda, tem ganhado atenção na cirurgia do hiato esofágico como alternativa ao uso de telas sintéticas, cuja aplicação, apesar de reduzir a taxa de recidiva, está associada a complicações como disfagia e erosão. A hérnia de hiato, especialmente envolvida na fisiopatologia da Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE), apresenta incidência significativa e constitui relevante problema de saúde pública, com milhares de internações anuais no SUS. Diante disso, o uso de retalhos autólogos, como o ligamentum teres, surge como estratégia promissora para reforço crural sem os riscos das próteses sintéticas. Revisar sistematicamente a literatura existente sobre o uso do ligamento redondo do fígado como retalho para reforço do hiato esofágico em cirurgias de correção de hérnia hiatal. Realizou-se uma revisão integrativa da literatura, com buscas nas bases PubMed, Scopus, Web of Science, Embase e LILACS até março de 2025. Foram incluídos estudos clínicos, experimentais ou revisões sistemáticas que abordassem o uso do ligamentum teres no reparo hiatal. A seleção foi submetida a dois revisores independentes, e os dados extraídos foram sintetizados em matriz descritiva. Os estudos analisados demonstram que o uso do ligamentum teres reduz significativamente a recorrência de sintomas e achados endoscópicos de refluxo, quando comparado ao fechamento primário isolado. Taxas de recorrência anatômica inferiores a 5% foram observadas em hérnias de até 9 cm, além de menor incidência de aprisionamento gástrico e de morbidade pós-operatória leve. O uso do ligamentum teres como enxerto autólogo no reparo de hérnias hiatais mostra-se uma alternativa eficaz, segura e de baixo custo em relação às telas sintéticas, especialmente em defeitos de até 9 cm. A técnica reduz complicações como disfagia persistente e perfuração, sendo viáveltanto em cirurgias primárias quanto revisionais. Contudo, são necessários novos estudos clínicos prospectivos de longo prazo para consolidar esses achados e ampliar sua aplicabilidade.
