Cirurgia abdominal alta: fatores de risco e fisioterapia
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Resumo
Os procedimentos cirúrgicos que envolvem a cavidade abdominal predispõem às alterações importantes da função pulmonar, o que aumenta a incidência de complicações pulmonares pós-operatória. O resultado de uma cirurgia depende da interação entre fatores agressores e de defesa. Identificam-se na literatura diversas variáveis clínicas e cirúrgicas que são descritas como fatores de risco para o desenvolvimento de complicações pulmonares pós-operatória. As complicações pulmonares pós-operatórias são frequentes em pacientes cirúrgicos e são causas importantes de morbidade e mortalidade. Verificar em nosso serviço quais são estas variáveis é importante, a media que o desenvolvimento de complicações pulmonares pós-operatória interfere de forma significativa no tempo de internação e na ocorrência de óbito em pacientes submetidos à cirurgia geral. Sendo assim estimar o risco do desenvolvimento de complicações pulmonares pós-operatória baseado em fatores de risco previamente identificáveis é muito importante. É relevante adotar medidas profiláticas para melhorar o prognóstico dos pacientes e reduzir os custos. A fisioterapia respiratória é um recurso utilizado neste sentido, pois aumenta a expansão pulmonar, a força dos músculos respiratórios, melhora a mobilidade torácica e a oxigenação. Analisamos retrospectivamente 150 prontuários de pacientes submetidos à cirurgia abdominal alta de um hospital filantrópico de Vitória, sob anestesia geral e com ventilação espontânea no período pré-operatório. Sendo excluídos pacientes com reoperação. Foram coletados dados quanto ao perfil do paciente, a realização de fisioterapia, seus procedimentos, dados cirúrgicos (diagnóstico, tipo e tempo de cirurgia, tipo de incisão), tempo de Sonda Nasogástrica, Intubação Orotraqueal e intercorrências, desenvolvimento de complicação pulmonar pós-operatória e óbito. Considerou-se complicação pulmonar pós-operatória: Pneumonia, traqueobronquite purulenta, atelectasia que produza repercussão clínica, insuficiência respiratória aguda, intubação orotraqueal, ventilação mecânica prolongada e broncoespasmo que necessite de tratamento terapêutico. Calculou-se o Coeficiente de Associação de Yule para verificar o benefício do tratamento fisioterapêutico nos pacientes com complicação pulmonar pós-operatória. Realizou-se teste do Quiquadrado ou exato de Fisher para buscar a associação entre as variáveis e a ocorrência de complicação pulmonar pós-operatória. Verificamos a incidência de 11% de complicação pulmonar pós-operatória, sendo as mais comuns a pneumonia (50%) e a insuficiência respiratória aguda (14%). Dos pacientes submetidos à fisioterapia preventiva somente 2 desenvolveram complicação pulmonar pós-operatória. Apenas 9% (14/150) dos pacientes fizeram fisioterapia respiratória e destes 57% (8/14) o tratamento foi preventivo. As técnicas mais utilizadas foram os Exercícios de Reexpansão Pulmonar (33%), Conscientização Diafragmática (25%), as Manobras de Higiene Brônquica (20%) e Cinesioterapia Global (10%). Existiu associação de 2 (duas) ou mais técnicas durante o tratamento fisioterapêutico, sendo as mais comuns: Exercício de Reexpansão Pulmonar, Conscientização Diafragmática e Manobras de Higiene Brônquica (21,4%). Verificamos que o Coeficiente de Yule foi de 0,51. O que confirma a associação positiva do tratamento fisioterapêutico na evolução dos pacientes estudados. A incidência de óbito foi 2% (4/150) e destes, 2 tiveram CPP. Das variáveis analisadas se comportaram como fator de risco (p< 0,05): pneumopatia, tempo de internação no PRÉ >3 dias, cirurgias de esplenectomia e coledocostomia, Tempo de cirurgia >210 min. e tempo de intubação orotraqueal >24 horas. A incidência de CPP foi de 11%, sendo as mais comuns a pneumonia e a insuficiência respiratória aguda. As variáveis de pneumopatia, tempo de internação no pré-operatório, cirurgias de esplenectomia, incisões subcostal e mediana supra umbilical, tempo de cirurgia e tempo de intubação orotraqueal comportaram-se como fatores de risco para o desenvolvimento de CPP. As técnicas mais utilizadas foram os Exercícios de Reexpansão Pulmonar, as Manobras de Higiene Brônquica, a Conscientização Diafragmática, as Orientações Gerais e a Cinesioterapia Global. A Fisioterapia Respiratória trouxe benefícios para o prognóstico dos pacientes submetidos à cirurgia abdominal alta.
