Cardiotoxicidade induzida por quimioterápicos: identificação precoce de pacientes de alto risco

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O rastreamento da cardiotoxicidade induzida por quimioterápicos é fundamental para a adequada assistência aos pacientes oncológicos. Contudo, os protocolos atualmente preconizados não se sustentam na realidade do Sistema Único de Saúde. Dessa forma, torna-se necessária a estratificação de risco para melhor definir os pacientes com maior demanda por rastreio. Estudo observacional, longitudinal, retrospectivo e unicêntrico, que incluiu pacientes portadores de câncer de mama submetidos à quimioterapia com doxorrubicina e/ou ciclofosfamida entre janeiro de 2018 e novembro de 2022. Foram excluídos pacientes com disfunção ventricular prévia. Os dados foram extraídos dos prontuários e dispostos conforme as seguintes categorias: identificação, comorbidades, medicamentos utilizados, registro oncológico e avaliação ecocardiográfica antes e após quimioterapia. A estratificação de risco foi realizada de acordo com os seguintes critérios: idade superior a 65 anos, presença de dois ou mais fatores de risco cardiovascular e dose cumulativa de doxorrubicina superior a 250 mg/m². A presença de dois destes critérios definiu o grupo de alto risco. Foram submetidos aos critérios de inclusão e exclusão 715 pacientes, dos quais 287 foram selecionados para estudo. A média de idade foi 53,8 ± 12,1 e foram encontrados 59 (20,6%) pacientes com idade superior a 65 anos. Do total, 122 (42,5%) apresentaram hipertensão, 43 (15%) diabetes mellitus, 31 (10,8%) dislipidemia, 68 (23,7%) obesidade, 17 (5,9%) tabagismo e 16 (5,6%) ex-tabagismo. Entre os expostos a doxorrubicina, 10 (3,6%) receberam dose acumulada > 250mg/m². Foram encontrados 227 (79,1%) pacientes que realizaram ecocardiograma antes da quimioterapia, com fração de ejeção ventricular esquerda (FEVE) média de 68,2 ± 5,4%. Ecocardiograma de controle foi realizado em 81 (28,2%) pacientes, com FEVE média de 63,4 ± 9,6%. Entre pacientes com câncer de mama submetidos à quimioterapia com doxorrubicina e/ou ciclofosfamida, foram identificados 29 (10,1%) pacientes de alto risco para cardiotoxicidade. Este estudo aponta individualmente os pacientes de risco que devem compor a população alvo para rastreio neste serviço.

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